quarta-feira, 13 de junho de 2012

Com o coração despedaçado a garota foi a janela e jogou a sua violeta vermelha pela janela e sussurrou "cujo significado é amor eterno". E falou em alto bom som
- Amor eterno é aquilo que dura, é aquilo que o tempo não prejudica... Amor eterno é aquilo que ninguém mais sabe o que é.
Jéssica Villar Vach

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Siga Sozinha

Fico segurando o telefone perto do peito, criando coragem para ligar para ele e pedindo silenciosamente que o telefone tocasse. Fico olhando para o nada, ainda pensando em ligar para ele e contar o quanto eu sentia falta dele. Resolvo e ligo.
Escuto o suspiro cansado dele, e fico ouvindo a respiração dele ao telefone.
Eu: Não espero que mude alguma coisa... Alguma coisa que aconteceu entro nós. Pode me ouvir?
Ele: Diga.
Eu: Eu queria estar ai agora, queria poder estar olhando para você, vendo você virar o rosto levemente ou revirar os olhos com o que eu posso dizer. Mas eu sinto sua falta, sinto falta do seu sorriso, do jeito que sorria. Ainda lembro as juras de amor que você me fazia, e suas palavras ainda estão comigo. (Chorando) Você apenas disse, siga sozinha... Mas não me ensinou a seguir sem você, em como ser forte sem você, sendo que você não esta aqui. Você me dava força, mas agora isso acabou, e eu não sei o que fazer, e eu não sei para quem correr...
Ele: Suspiro.
Eu: Eu descobri que não consigo te esquecer, eu já tentei varias vezes, mas nada acontece. As vezes eu fico lembrando de como agente ficava abraçados no banco da praça. De como o vento batia em seu cabelo, mexendo-o delicadamente. Eu ainda amo você, mas eu nunca admiti isso, nunca disse tudo o que sentia e te deixei na duvida... E por causa disso te perdi.
Ele: Siga sem mim, siga sozinha.
Ele desliga, eu fico olhando para a janela e mais uma vez, tentando encontrar um motivo para continuar aqui.
Hwang Mi Hee

domingo, 8 de abril de 2012

Eu: Hora de dizer adeus.


Coração: Não estou pronto para isso.
Eu: Você supera.
Coração: Não posso superar. Isso é de mais.
Eu: Eu tenho que dizer adeus.
Coração: Isso esta me matando, não diga adeus a ele.
Eu: Tenho que dizer para continuar.
Coração: Mas eu não quero que diga adeus.
Eu: Eu preciso seguir.
Coração: Vá em frente, mas deixe-o ficar ao seu lado.
Eu: Eu estou magoada.
Coração: Eu estou chorando, as suas lagrimas que você não pode ver.
Eu: Sinto muito, me arrisquei e te machuquei novamente.
Coração: Ele pode me curar.
Eu: Eu não quero.
Coração: Você esta me matando assim.
Eu: Eu estou morta.
Coração: Você continua viva, eu que estou morto.
Hwang Mi Hee

sábado, 7 de abril de 2012

Palavras Escritas Com Sangue


“Querido Diário! Estou pensando em fugir, fugir desta casa, desta cidade, desta vida que não me pertence. Estou cansada dessas regras sem sentido, me sinto como um animal, preso em uma coleira. Quero ser livre, ser o que eu quiser, sem ter que dar satisfações a cada vez que eu quiser sair pela porta. Quero ser quem eu sou não alguém que recebe ordens de um rei que nem sabe cuidar de seu povo, quero que as pessoas olhem para mim como eu sou, não apenas pelo meu titulo de princesa...”.
Fecho o antigo caderno rápido, quando a porta é aberta abruptamente. Olho para porta e nada vejo, me alevanto e pego a adaga na saia do meu vestido... Mas sou jogada de costas no chão que me falta até o ar, colocam um lenço em minha boca e controlo a minha respiração. Um homem fica em cima de mim, e eu não consigo ver seu rosto e ele aproxima seu rosto do meu, ainda com o lenço em minha boca e sussurra no meu ouvido:
-Venha comigo princesa! – Eu faço que não com a cabeça e ele sorri. – É o Willian, não um pervertido.
Solto um suspiro e ele tira o lenço de minha boca, me ajuda a alevantar-me e eu lhe dou um tapa no rosto tão forte que minha mão arde.
-Você esta louco? Quer me matar do coração Willian? – Willian sorri mais uma vez e pega minha mão, me puxando para fora do quarto. – Aonde vamos?
-Silencio. – Ele sussurra e eu obedeço.
Ele continua segurando minha mão fria, eu estava tremendo, eu tinha quase certeza que não estava frio, mas eu estava com medo, e a mão quente dele me dava algum conforto. Eu o conhecia há anos, desde meus seis anos e ele sempre esteve presente em minha vida. Ele sabia que eu queria ir embora dali e talvez hoje, ele estaria me ajudando para fugir. Passamos pelo grande salão e eu bato numa estatua, fazendo-a cair no chão e se quebrar. Ele me olha apavorado e sai correndo, me arrastando para fora do castelo. Joga-me em cima da cela do cavalo e monta logo atrás segurando as rédeas do animal, fazendo-o disparar. Eu quase caio por causa da rapidez do cavalo, eu estava de mau jeito também, ele me jogou em cima do pobre animal, olho para trás e vejo as luzes sendo acesas e gritos distantes dentro do castelo.
Willian para o cavalo no meio de algumas árvores que poderia confundir com pedras e bota sua capa em mim e eu o encaro. Mesmo a noite, eu conseguia ver aqueles olhos verdes que tanto me fascinavam. Eu olho para os lábios dele, que estava entre abertos e ele olhava para o nada. Eu me aproximo um pouco dos lábios dele e quando ele olha para mim eu abaixo meu rosto e fico vermelha. “Eu não acredito, eu quase beijo o Will.”. Sinto os olhos dele em mim e eu fico olhando para o chão e ouvimos patas de cavalos e ele tampa minha boca e sussurra em meu ouvido:
-Eles não vão nos ver aqui, não faça nenhum barulho. –Eu faço que sim com a cabeça e ele fica olhando em volta, ainda com a mão em minha boca, delicadamente.
Solto um suspiro e vou para baixo do braço dele, para tentar ver algo, ele ainda tinha a mão em minha boca e ele se afasta um pouco, para me dar passagem. Não escuto mais nada, mas permaneço em silencio, olhando para o castelo. Ele tira delicadamente a mão de minha boca e desce do cavalo, pulando no chão como um gato, sem fazer nenhum barulho. O cavalo da um passo para trás e eu seguro as rédeas, procurando pelo Willian naquela escuridão. Alguma coisa segura meu pé e puxa as rédeas de mim, montando no cavalo e eu mordo o lábio para não gritar, aquela criatura que eu não sabia quem era faz o cavalo andar lentamente e silenciosamente, ele estava em minha frente, mas não parecia o Willian. Jogo-me do cavalo, caindo no chão, fazendo um barulho enorme de folhas e bato a cabeça na pedra e o homem do cavalo me olha, e era o Willian, como eu poderia estar enganada sobre não ser ele? Ele pula do cavalo e corre ate mim e pegando-me no colo em segundos. Eu o encaro e ele tava serio, olhando-me sem expressão alguma. Os olhos verdes analisando os meus olhos negros. Fecho os olhos, não conseguia encarar ele depois de querer beija-lo agora pouco, quando me dou conta, estou escorada no peito dele, montada no cavalo.
Sinto a respiração dele no topo de minha cabeça, permanece imóvel e em silencio, eu não sabia o que falar. Um lado meu queria agradecer a ele, outro lado meu queria abraçar ele. Mas ele não era conhecido como um cara sentimental, ele muitas vezes era frio comigo, tipo agora, ele não ligava para o que eu queria, e eu estava estranhando ele ter me ajudado a fugir sem eu ter pedido.
-Por quê? – Pergunto num tom frio.
-Hum?
-Por que me tirou do castelo? –Ele nada responde, eu suspiro e digo num fio de voz – Embora eu não tenha pedido para me tirar de lá, você me tirou. Eu contei a você que queria sair de lá e você me ajudou sem eu pedir. Por quê?
-Não sei. – Ele apenas disse isso e voltamos aquele silencio chato e perturbador.
O cavalo diminui a velocidade quando se aproxima do mar, e eu notei que estávamos na praia branca. Onde meu pai me proibiu de ir, por que ali habitava os contrabandistas. Eu sabia que Willian não era um, mas ele morava com o pai dele, que era contrabandista. O cavalo passa a caminhar lentamente e eu fico olhando para o mar, e vejo algumas baleias ao longe, pulando na água e ouvindo-as se comunicando entre si. Sinto-o suspirar silenciosamente e continuo olhando para o distante oceano.
“Talvez algum dia, depois que eu morrer e reencarnar eu posso ser algum animal marítimo, já que meu amor pelo oceano nunca ira morrer.”
Olho para frente e vejo algumas casas com luzes apagadas, do nada estamos cercados de homens com espadas, apontadas para mim e o Willian. Willian levanta a mão e eles abaixam as armas, dando espaço para nós passarmos. Olho para o Willian e ele continuava com o rosto sem expressão. Ele continuava do mesmo jeito, frio. Solto um suspiro.
-Alicia, você estava presa lá, talvez por isso eu tenha lhe tirado de lá. – Ele para o cavalo e segura meu rosto, fazendo-me encara-lo. – Você queria continuar lá? Sendo tratada como criança, não como a mulher que você é?
-Não.
-Que bom! – Ele sorri e beija minha bochecha, os lábios quentes pousaram delicadamente ali e logo se afastaram.
Ele desce do cavalo e me ajuda a descer. Um homem se aproxima de mim e fica me olhando de um jeito malicioso e Willian me puxa para junto de seu corpo, eu solto um gemido ao sentir o corpo dele grudado ao meu. Ele sussurra em meu ouvido:
-Não se preocupe ninguém aqui ira tocar em você, não ire deixar.
Quando eu ia responder, uma mulher ruiva, um pouco mais alta que eu e um corpo volumoso se aproxima de nós, com uma voz irritante.
-Will você voltou querido. – Ela me joga na areia e agarra-o, beijando aqueles lábios perfeitos dele.
Alevanto-me furiosa e com ciúmes e saio andado ela me olha e diz:
-Mocinha, fique parada ai! – Olho por sobre o ombro.
- Você não manda em mim, querida.
Ela se aproxima de mim e pega sua espada, apontando-a para mim, olho para trás e pego a espada de um senhor de idade e a desarmo num golpe único e a derrubo no chão, apontando a espada ao pescoço dela.
- Se não sabe luta direito com uma espada, nunca use uma. – Vejo a moça tremer de medo e me afasto dela.
Um homem segura meu pulso e vejo que é o Willian e me solto dele e digo:
-Fique com sua puta.
-Esta com ciúmes? – Ele me olha incrédulo e eu fico vermelha de raiva.
-Não, só odeio ficar entre casais. – Encaro aqueles olhos verdes perfeitos.
Uma mulher loira, uns dez anos mais velha que eu se aproxima e diz para mim:
-Não ligue para aquela assanhada, ela não lhe fará nada. –Ela me da um sorriso confortador e o Willian se afasta e eu me sinto sozinha.
-Ele jamais vai me entender... – Sussurro para mim mesma, mas a mulher ao meu lado escuta e suspira.
-Todas as garotas o querem, elas apenas transam com ele e nada mais. Ele nunca se envolveu com nenhuma garota depois que viu a amada morrer. – Ela olha para as costas dele. – É um bom rapaz.
Ela começa a falar, que vai cuidar de mim ali, que ira ser como uma mãe para mim e passa o braço pelos meus ombros, abraçando-me de um jeito diferente. Como o David fazia comigo. Eu sentia falta do meu irmão mais velho, ele havia morrido em uma guerra cruel. E eu tinha apenas quinze anos. A mulher me levou para dentro de uma casa simples, com dois quartos, uma sala, uma cozinha, um banheiro, um pequeno pátio e uma varanda na frente. Agente se sentou na varanda e ela estava olhando para os homens arrumando a fogueira.
-Hoje é dia de histórias, espero que goste.
-Vocês são de que tribo? – Pergunto olhando para o Willian sentado, abraçado com aquela mulher ruiva.
-Ciganos. Não somos como os verdadeiros ciganos, claro, mas somos de origens ciganas. Willian é filho de uma cigana.
-Eu adoro os ciganos. – eu bato palmas levemente e uma musica começa a tocar e um homem de mais ou menos vinte e oito anos aparece e da um selinho na mulher.
-Ah, desculpe querida, não me apresentei. Sou Maria. Apenas Maria, sem sobrenome nem nada, aqui esquecemos isso. Este é meu marido, Arthur. – Ele pega minha mão delicadamente e a beija.
-Prazer senhorita. – Eu dou um sorriso empolgada com a musica.
-Prazer, sou Alicia... – Eles sorriem com meu jeito educado.
-Sabe dançar musicas assim? – Dou um sorriso e me alevanto.
- Mas é lógico que sim. Se não se importa Maria, posso roubar seu marido para uma dança? – Maria da um risinho.
-Mas claro que pode minha querida.
Arthur e eu começamos a dançar perfeitamente, entre risos e sorrisos os outros nos imitam e ora ou outra eu olhava para o Willian que me olhava de um jeito bravo. Eu não ia me importar, estava me divertindo. Eu seguro uma parte do meu vestido azul e dou vários giros, fazendo os homens todos se encantarem e ouvi alguns comentários:
-Ela dança feito cigana mesmo...
-Olha o jeito que ela se move, tão delicadamente e sedutoramente.
Maria estava rindo e começava a me imitar com uma garotinha de uns doze anos, eu dou um sorriso e continuo dançando em volta da fogueira com o Arthur, ele sorria feito bobo e olhava para a esposa. Cansada, me sento no tronco ao lado do casal e da garotinha de olhos azuis. Ela era parecida com Maria.
-Esta ficando frio. – Ela reclama e eu a abraço. – Obrigada.
-De nada. – Dou um sorriso e fico abraçada nela, olhando a fogueira.
Fico olhando para o fogo dançando, seduzindo-me para perto, quando vejo uma mulher abraçada num homem, chorando. Eu me alevanto e fico olhando aquela imagem. Willian me olha, estranhando meu comportamento. Maria se aproxima de mim e pergunta o que eu vi e eu conto a ela, e ela fica seria. Sento-me novamente e Arthur se alevanta e anda em volta do fogo.
-Contarei uma historia que nunca foi contada numa noite de fogueira, pois temem que a alma da princesa – e ele olha para mim – acorde e venha da floresta – nisso o vento me atingi, balançando meus cabelos. – procurar pelo seu amado morto em uma guerra cruel.
Eu fico séria olhando para ele e tentando ignorar o frio que estava em minha barriga, tentava ignorar as palavras lentas dele.
-A princesa, foge de seu castelo por ter brigado com seu pai e atravessa a antiga floresta – ninguém jamais entrava naquela floresta, diziam que aquela floresta fazia os mortos se alevantarem. – encontrando um cigano, belo, de olhos verdes – ele olha para Willian e depois continua olhando em volta – e cabelos negros como a noite. A princesa tinha olhos negros e cabelos castanhos avermelhados, uma beldade de mulher, – ele olha para mim – a pele dela era clara como o dia e os lábios dela era perfeito.
Ele continua olhando para mim, e eu olhando para ele, nós nos encarávamos e ele começa a andar em volta da fogueira.
-Certo dia, eles confessam estarem apaixonados, e neste dia, tudo para eles piorou, pois era um amor proibido... Entre um cigano e uma princesa. Um dos dois teria de abandonar seu povo, mas os dois eram apaixonados pelo seu povo e brigavam muito por causa disso. A princesa, uma garota delicada, mas forte, o cigano um rapaz frio, mas a amava mais do que a própria vida. – Ele olha para mim e logo para o Willian, Maria olha para mim e depois para o Willian também. – Até que um dia, houve uma guerra, entre ciganos e a realeza por causa do amor dos dois... A guerra terminou, depois de seis dias, de uma agonia sem fim, de uma dor sem fim...
Ele fica em silencio de cabeça baixa por algum tempo.
-Até que o cigano é atingido por uma espada no peito e morre sem ver sua amada. A princesa enterra seu amado na antiga floresta... E lá ela se mata... E todos que entram naquela floresta, e se aproximam da arvore central, onde os corpos dos dois estão enterrados, em baixo daquela enorme arvore. Escuta perfeitamente o choro da princesa, procurando a alma de seu amado.
Nisso um vento forte começa e eu fico olhando para a floresta ao norte, Willian também, agente quando éramos pequenos entravamos na floresta, e na ultima vez, ouvimos o choro de uma mulher, a suposta princesa e saímos correndo. Willian se alevanta e se aproxima de mim, olhando-me e eu olhava para a floresta, mas eu sabia que ele estava ali, ao meu lado. Quando olho para frente, vejo um cigano, com um lenço vermelho em sua testa e eu grito, alevanto-me e saio correndo.
-Alicia – Escuto Maria gritar, mas eu continuava correndo e vejo o cigano do lenço vermelho na minha frente e eu caio de costas no chão. Willian corre até mim, pegando-me no colo chorando e me apertando contra seu peito, eu começo a chorar junto com ele.
-Ela pôde ver a alma do cigano, algo que a verdadeira princesa nunca viu – Um velho aponta para mim – você é a reencarnação da princesa...
E nisso eu desmaio.
    ...
Eu acordo num quarto, não muito grande, minha cabeça doía e eu me lembrei do cigano que eu havia visto ontem à noite, depois da historia, e o que o velho havia me dito. Eu não era a reencarnação de uma princesa. Eu me alevanto e boto um vestido cor de vinho de Maria, tomo um café da manha que ela fez para mim e deixou em cima da mesa, saio da cabana e olho em volta. Só tinha mulheres.
-Você viu mesmo o cigano da historia? – Maria aparece do nada e me pergunta isso.
-Deveria ser alguém daqui... –Maria faz que não com a cabeça.
-Não tinha ninguém na sua frente quando você gritou e correu, e nem quando você caiu na praia Alicia.
Fecho os olhos e me lembro do rosto do cigano, tinha alguma coisa do Willian e eu sabia o que era... Os olhos.
-Olha lá. – Maria aponta para o Willian sem camiseta, ajudando uns homens a cortar lenha. – Ele viu uma mulher, ele disse que tinha algo de você... Os olhos.
-Os olhos do cigano, eram iguais ao dele. – Ele olha para mim e sorri e eu fico vermelha. Olho para Maria – Vou dar uma volta.
Saio andando e me aproximo do mar, olhando meu reflexo nas ondas, meus cabelos negros e lisos estavam presos num rabo-de-cavalo, e eu saio do mar, e começo a andar sem rumo, quando sinto meu pulso sendo puxando. Viro-me e vejo o Willian me encarando com um olhar diferente.
-Bom Dia! – Ele leva a mão para o cabelo, bagunçando-o e eu sorrio.
-Bom Dia Will. – Começo a andar e ele anda ao meu lado, quieto.
-Eu a vi. Ela não era parecida com você, mas os olhos eram seus.
-Os olhos “dele” eram seus. –Aperto a saia do vestido em minha mão. –Eu não sou a reencarnação dela. –Ele suspira e me vira para ele, segurando meus ombros.
-Eu não sou apaixonado por você Alicia, não somos o casal da historia, isso não vai acontecer, tudo bem? – Eu sinto-me morrendo por dentro, mas nada demonstro.
-Eu sei.
Me solto dele e saio andando, o vento tocava em minha pele delicadamente, e eu sentia a dor em meu peito, aumentar e aumentar, ele estava lá ainda, parado, olhando para mim. Eu sabia disso, não precisava vez isso.
-Alicia... – Ele grita e eu o olho, todos que estavam próximos olhavam para ele.
Eu dou meia volta e passo por ele, e sinto algo ruim, uma dor em mim, dentro de mim. Matando-me aos pouco.
“Eu simplesmente, não posso escolher, não posso escolher a morte, não é uma opção, existe um propósito para tudo, todo mundo diz isso.” Era noite, e eu estava de pé na beirada do mar, de pé descalço, sentindo a água molhar meus pés. “Não existe uma historia de amor criada para mim, nunca existiu, eu devo acreditar nisso.” O vento agitava meu cabelo suavemente, eu ouvia a agitação atrás de mim, mas eu não me importava, eu apenas queria me jogar no mar e esquecer tudo e todos. “Eu quero fechar os olhos, me jogar de corpo e alma neste mar, e deixar a maré me levar para qual quer lugar.” Fecho os olhos e sinto o gosto salgado do mar que o vento trazia, sentia aquele sabor delicioso em meus lábios delicadamente. “Eu nunca acreditei em amor, apenas em pessoas certas e em momentos certos.”
Alguém me abraça por trás, deixando os braços descalçarem em minha barriga, eu olho por sobre o ombro e vejo o Willian de olhos fechados. Volto a olhar para frente, tentando acalmar meu coração que parecia saltar do meu peito. Ele beija meu ombro e sussurra.
-Desculpe-me, eu menti hoje cedo para você.
-Hum...
-Eu apenas não queria que você pensasse que a historia se repetiria, eu quero te deixar viver uma vida livre, não quero te prender... – Sinto as lagrimas dele em meu ombro. –Mas te deixar livre assim, eu também não quero... – Ele aperta o abraço. – Eu quero que você seja minha, somente minha...
Ele beija meu pescoço e eu me viro, encarando os olhos verdes dele, aqueles olhos verdes que eu amava ver, que eu amava tanto, que eu podia enxergar a alma dele. Ele aproxima seu rosto do meu lentamente e eu fecho meus olhos, os lábios dele, delicadamente tocam os meus, e ele afasta seus lábios um pouco e eu solto um gemido quando ele cola seu corpo ao meu e ele me beija. Aquela dança erótica de nossas línguas me excitava e eu queria que aquele momento nunca acabasse. Ele desce a boca para meu pescoço, eu mordia meu lábio e arranhava as costas dele delicadamente.
-Ei, vocês dois, se querem fazer isso, façam num quarto. – Minha querida Maria estava com a mão na cintura e um olhar reprovador para nós, eu escondo meu rosto no pescoço dele e controlo o riso.
-Não estamos fazendo nada. – Willian do um riso.
-Ainda né? – Maria se afasta e eu olho para ele.
-Me beije... – Eu peço com a voz um pouco rouca.
E ele me beija de um jeito possessivo, de um jeito excitante. Ele morde meu lábio inferior, abraçando-me carinhosamente.
-Eu te amo...
-Eu te amo... – Ele sussurra em meus lábios... – Sempre a amei.
Ele me puxa para fora do mar, e me senta no tronco e busca um prato com peixe para mim e para ele. Ele morde minha bochecha e eu dou um riso.
-Coma...
-Estou sem apetite Will... – Ele faz um biquinho e eu mordo a boca dele.
-Você tem que comer.
-Já comi mais cedo, pergunte a Maria.
-Maria... – Ele grita.
-Fala?
Maria nem se vira para saber quem era. Ela continua fritando os peixes.
-A Alicia já comeu? – Ele me olha e eu dou um sorriso.
-Faz tempo Willian, você vai engordar a pobre moça assim.
-Eu disse. – Eu dou um sorriso e ele sorri de volta. –Vou dar uma volta...
Pego o cavalo de Willian e saio andando sem rumo, quando me dou conta, estou em frente a arvore da história, eu não sabia o que significava, mas quando desci do cavalo eu pude ouvir os choros da princesa, ou uma canção triste que o vento trazia.
Não existem limites nas guerras...
Aproximo-me da arvore e olho em volta, era como se aquelas gotas fossem as lagrimas dela, ela escolheu esse lugar por que era antes, um lugar lindo e perfeito...
Dizem que o amor pode vencer, mas agora eu duvido disso...
Aquela musica, triste e deprimente ainda tocava... Eu fico olhando para a arvore, e para algo que brilhava bem no centro da raiz, entre uma fenda que eu tinha acabado de descobrir.
Ele tinha dois corações, então por que ele se foi...?
Olho mais uma vez em volta, procurando encontrar a dona da voz, e que de algum jeito, eu possa a fazer descansar para sempre. No seu leito mortal, junto com seu corpo ou levar sua alma para o mesmo lugar que seu amado.
Não existem regras para eles, o que importa é apenas a luta...
Aquela musica, fazia meu peito se apertar e a dor que ali habitava, naquele local, me matava aos poucos... Eu queria sair correndo dali, como um dia eu fiz quando criança, mas eu sabia que não podia.
Ele era tudo o que eu tinha, por que simplesmente teve que tira-lo...?
Um vento forte agitou meus cabelos, e leves pingos caíram sobre meu rosto, e a voz parecia mais perto...
Não posso continuar vivendo... Não sem ele...
Uma historia de amor, um amor proibido... Entre uma princesa e um cigano, as coisas entre eles estavam erradas desde o começo, eles sabia que um dos dois teria que negar seu povo sua existência, nenhum deles quis isso e pagaram com a morte.
Eu ainda lembro as palavras que ele me disse antes da guerra...
Mas eu fiz minha escolha, neguei meu povo, no momento em que o conheci. No momento que ele passou a viver dentro de mim... Em meu coração.
Ele disse que era para eu continuar...
Adotei o povo dele, como minha família... Eu sei a escolha que eu fiz e não vou morrer por isso, muito menos ele...
Mas como eu posso continuar...?
Aperto a saia do vestido em minha mão úmida, e eu notei que estava suando frio, aquele brilho no centro da fenda estava me chamando...
Se você não esta mais aqui?
Eu dou um pulo ao ouvir o grito da princesa, um grito de dor, não de um machucado que remédios podem curar, mas sim dor de amor. O vento agita meus cabelos novamente e eu olho para trás e vejo a princesa, eu me afasto um pouco e respiro fundo e estico minha mão e ela me imita, olhando-me... Ela não parecia apenas um espírito procurando a alma do seu amado, ela parecia que estava ali, agora, e que toda a dor que ela sentia, era uma dor que eu podia sentir... Mas quando desço meus olhos para o peito dela, vejo um buraco na parte do coração e ela estica a outra mão, mostrando-me seu coração que ela arrancou. Olho para a fenda mais uma vez e aquele brilho, continuava me chamando. Me abaixo e pego aquele brilho na mão e vejo que era um colar, em formato de coração com as seguintes palavras escritas: I Love You.
Fecho minha mão com o colar e olho para onde a princesa estava, e dos olhos dela saia sangue e ela gritava algo, mas eu não conseguia ouvir, ela cai no chão, em volta dos olhos estava preto como se ela não dormisse há anos... Algo dizia para eu correr, eu monto no cavalo de Willian e faço o cavalo correr o mais rápido que pode em direção de onde eu tinha vindo. Quando olha para trás, tudo estava calmo como antes, mas quando me viro, a princesa estava em minha frente e eu caio e corto a mão numa pedra... Olho para o sangue em minha mão e olho para uma arvore escrita com sangue o nome dos dois... Priscila e Rodolfo. Eu me aproximo de uma arvore e escrevo Alicia e Willian com o sangue de minha mão e um vento agitava meus cabelos fortemente... Monto no cavalo e jogo o colar no chão, fazendo o cavalo disparar e quando eu olho para trás a alma da princesa estava caída ao lado do colar, chorando e chamando o nome dele. Volto a olhar para frente, segurando firmes as rédeas e guiando o cavalo ate a praia branca.
Chegando à praia eu vejo que os homens estão pegando suas armas e Maria me arranca do cavalo dizendo algo, mas com aquele barulho todo, eu não escuto nada... Ela grita dizendo que ia haver uma pequena batalha, em meu nome e eu grito e tudo fica em silencio... Eu saio correndo procurando pelo Willian...
“Lendas e mais lendas... Desde quando eu passei a acreditar nisso, desde quando eu deixo fantasmas me aterrorizarem...?”
Continuo correndo e procurando pelo Willian no meio daquele pessoal todo, e não consigo ver ele, sentir ele...
-Willian...!
Eu grito chamando seu nome, e me dou conta que eu parecia à princesa da historia, eu olho em volta, procurando por um rapaz de cabelos negros e olhos verdes... Mas nada encontro. Eu o vejo falando com dois rapazes e eu corro ate ele, mas ele se afasta e Maria diz que aquele não é ele... E quando o rapaz se vira para me ver, no final... Não era ele... Maria me puxa para perto da casa dela e eu vejo ele, eu corro ate ele e o abraço...
-Will... – Ele me beija e diz que precisa ir... – não, não e não...
-Eu tenho que ir não posso os deixar irem sozinhos... –Ele beija o topo de minha cabeça e se afasta eu fico olhando para ele, eu sabia que aquela poderia ser a ultima vez que eu veria... Assim...
No meio da madrugada, eu estou sentada na varanda olhando para o mar, esperando os homens que foram para a pequena batalha surgirem, mas nada acontece... O vento agitava meus cabelos suavemente e começava a chover... Levemente mas começa a chover. O cavalo de Willian para na minha frente, olhando-me...
Eu pego a minha capa e monto no cavalo e vou à busca de Willian, ao amanhecer, quando desisto de procura-lo... Encontro ele caído, encostado numa pedra, com um corte perto do peito, e a respiração dele estava acelerada de mais... Eu pulo para o chão e corro até ele, chorando e abraço ele, dizendo que ia ficar tudo bem... Beijo ele de um jeito desesperado, ele solta um gemido e eu toco o rosto dele, de um jeito desesperado.
-Sinto muito Alicia... – A voz dele era fraca e eu não tinha voz...
-Você vai ficar bem... Eu prometo... – Eu olho em volto e grito... – Alguém? Por favor, eu preciso de ajuda... Alguém?
Ele segura minhas mãos frias e eu olho para ele, chorando desesperada, pedindo com o olhar que ele aguentasse, eu enterro meu rosto no pescoço dele, chorando silenciosamente e ele sussurra.
-Eu te amo...
-Eu te amo. – Um vento forte agita nossos cabelos e a chuva termina, quando olho para ele, não existia mais ele... Só um corpo vazio.
Três meses havia se passado...
E eu ficava ali, olhando para o mar, sentada na varanda da casa de Maria, olhando para alem do horizonte, gritando em silencio por que tinha que ser ele... E esperando de algum jeito que ele voltasse e me abraçasse, mas isso nunca aconteceu...
“Agora eu consigo sentir os sentimentos escaparem por minhas mãos, sinto minha vida escapar pelas minhas mãos, e eu não podia impedir... Se tudo o que me prendia a vida, foi arrancada de mim.”
Não existia mais lagrimas dentro de mim, e as pessoas tinham pena e medo do que eu poderia fazer, eu quase não comia, eu quase não bebia, só ficava ali... Olhando para o nada.
“Aprendi agora, que viver sem amor, sem o amor da sua vida... Não é viver, é apenas existir.”
Os anos foram passando, e eu permanecia assim, até que a morte enfim me alcançou, e eu desejava que a cada dia que eu fechava meus olhos, fosse a ultima vez... Fosse para sempre.
“Minha historia, foi contada por eles, sempre que existia um amor assim, mas ninguém nunca mais perdeu o amor da sua vida, não houve mais casos entre ciganos e princesas... Todos sabiam agora que isso levava a morte.”
Onde as pessoas chamavam de outro mundo, eu o procurei... Mas não o encontrei, afinal, ele não estava ali. Eu jamais poderia vê-lo ou toca-lo novamente... 
Hwang Mi Hee

sexta-feira, 9 de março de 2012

Ela: Espera, quero conversar com você.
Ele: Já conversamos tudo o que tínhamos que conversar.

Ele continuava andando apressado e ela segura o braço dele.

Ela: Por que faz isso? Por que não deixa eu conversar com você?
Ele: Por que simplesmente terminou...

Ela abaixa a cabeça e olha pros pés.

Ela: Eu sei que terminou... Mas eu só queria te falar umas coisas.

Ele continuava em silencio olhando para ela.

Ela: Eu amo você e te provei isso varias vezes, eu tenho defeitos, meus defeitos. E se eles te afetam, desculpa. Você me fazia feliz de um jeito único e não to falando isso para você voltar para mim. (ela olha para ele) Eu só estou falando isso, por que quero que você saiba de tudo. Tudo o que eu sinto por você. Por que quando eu chorava, você me fazia sorrir, por que quando eu queria gritar, você me abraçava. Por que quando eu queria sumir... Você me buscava.
Ele: Eu não farei mais isso, sinto muito. (ele vira as costas e sai)
Ela grita: Eu apenas queria que você soubesse, e algo dentro de mim dizia que você me abraçaria...
Ele: Mas esse algo dentro de você errou.

Ela abaixa a cabeça e sussurra

Ela: Eu sei.
Hwang Mi Hee

quinta-feira, 8 de março de 2012

Ao Cair Da Noite

"Era tão estranho para mim ficar brigando com meus pais, aquilo me destruía aos poucos. Mas eu tinha que me manter forte, não por eles, mas por mim."
Dou um suspiro e olho pro céu, deixando as gotas de sangue mancharem o gramado verde, agora tingido de sangue. Fecho os olhos e sinto o vento acariciar meu rosto.
"Como eu queria que tudo terminasse aqui"
De repente um arrepio passa por meu corpo todo e sinto sendo observada, olho em volta e nada vejo. Solto um suspiro e continuo olhando o céu estrelado e escuro. Eu não sabia dizer onde tudo mudou, onde tudo virou um filme de terror ou de drama... Ou o meu pior pesadelo.
"Talvez tenha sido quando você foi embora... Não foi?" 
Sinto as lagrimas correrem lentamente pelos meus olhos, quente no começo e gelada no final. Por que? Simples, por causa do vento. 
Começo a caminhar para dentro da floresta, algo dentro dela me chamava e eu ia ficando com sono. Era como uma melodia, que me chamava para dentro dela, mais e mais. Eu não conseguia controlar meus passos, não conseguia parar, eu só queria seguir, para dentro daquela escuridão sem fim. Tudo de repente perde o foco e eu não sinto mais nada.


"Quando se deixa levar pela melodia é por que não existe algo que te prenda."


(- Os antigos diziam que algo dentro da floresta negra puxava as pessoas que estavam sofrendo para dentro dela, e era sempre garotas. Que tinha problemas com a família ou com as pessoas do vilarejo. Varias garotas foram encontradas mortas na beira da floresta. Outras com cortes profundo em todo o corpo. Os lideres dos vilarejos próximos diziam que elas se matavam por que não aguentavam seus sofrimentos. E aquelas que tinham os cortes perderam a consciência de tanto punir-se. - ele olhava para mim - Você realmente acredita nisso? É só uma lenda boba. - Ele olha para dentro da floresta. - Irei entrar na floresta, para provar que não existe nada lá dentro que irá lhe fazer mal. - Ele toca meu rosto. - Amo você.)

Tento me alevantar, mas meu corpo doía de mais, eu não conseguia ver nada, tudo estava escuro e meus olhos tentavam se adaptar ao escuro, tentando ver ao menos algo que definisse onde eu estava. Não, isso não era meu quarto, era o meio da floresta sombria e o sonho que eu tive, "dele" me contando sobre a lenda me apavorou. Mas nada falei, continuei calada. De repente meus braços foram presos e a dor foi enorme, mas eu não tinha voz, não conseguia gritar... 
"Tomara que aqui seja onde tudo terminará"
E mais uma vez eu cai na escuridão absoluta.


- Onde eu estou? - Abro os olhos lentamente e vejo duas crianças e vários adultos em volta de mim. Tento me sentar, mas a dor era agoniante.
- Alice, o que te aconteceu? - A voz do líder do vilarejo me faz olhar para meu corpo e minha voz some... Os cortes... Eram tão profundos.
- Eu... Eu não s... - Não consigo terminar a frase quando ele me pega pelo pescoço, me prendendo contra uma arvore. - O que... - Mais uma vez sou impedida pelo tapa que ele me da no rosto.
"E meu coração gritava, implorava para eu correr, para eu ir embora e seguir minha vida sozinha."
- Você fez isso, para pôr duvida na cabeça das pessoas sobre a lenda da Floresta Negra não é? Só por que você briga com seus pais, que sua vida não é perfeita quer estragar a vida dos outros? - Ele me solta e eu caio diretamente no chão, ficando sem ar logo em seguida. Olho para o grupo de pessoas me olharem com pena e ódio. E eles se afastavam, se distanciavam e eu continuei ali, parada, esperando a dor passar. Meus olhos queriam se fechar... 
"E eu quero que seja para sempre" pensei com o coração partido.


"E talvez algum dia você consiga sair deste jogo."


(- Tudo que eu queria, era que seu pai me aceitasse para seu companheiro... - Ele olha para o céu claro, os olhos incrivelmente azuis como o céu estavam magoados - Eu... Não consigo entender, não sou bom o suficiente para você? - Ele aperta os olhos, deixando as lagrimas caírem e eu o abraço. - Eu te amo e ele não pode impedir isso... - Ele balança a cabeça e da um sorriso triste - Esse sentimento... Nosso sentimento.)

"Eu não quero acordar... Eu quero continuar, à sonhar com você... Mas acho que isso não é mais possível né?"
Abro os olhos lentamente e eu estava deitada perto de um lago e os machucados não estavam mais em meu corpo, o que era totalmente estranho... Só os cortes na coxa que permaneciam... E os que eu havia feito nos pulsos. Eu me sento e molho os pés. Fico olhando pro nada, lembrando das palavras dele... Das ultimas palavras dele.
"Tudo que eu queria era que você estivesse aqui." 
Olho para o céu, me lembrando daqueles olhos azuis. 
"Mas você se foi não foi?" 
Aperto os olhos, tentando não chorar, mas minhas lagrimas se juntam com o lago. 
"E eu só queria que essa dor curasse, só queria que essa dor parasse e sumisse de dentro de mim."
Olho para trás quando ouço passos e vejo "ele"... Fico parada, com os pés na água, olhando em direção dele. Ele se encosta numa árvore, e fica ali, me olhando, me encarando mas nada diz. Ele olha para o céu, o mesmo jeito de sempre, quando esta pensando. Mas algo nele havia mudado, algo nos olhos, no jeito que ele encarava o céu... Principalmente no jeito que ele me olhava.

(- Me prometa, que nunca vai entrar na floresta negra? - Ele da um leve apertão em minhas mãos. - Me prometa Alice.)

As palavras dele vieram em minha mente automaticamente, eu queria perguntar por que, mas o olhar assassino que ele dirigia ao céu me assustava.
- Lembra... - A voz dele era fria e cruel - Quando eu pedi para você me prometer que jamais ia entrar na floresta negra? - Faço um sim com a cabeça. - Por que não obedeceu? - Os olhos dele ainda estavam focado no céu. 
- Eu não entrei - levo uma mão perto do pescoço, algo dentro de mim pulava... Mas não era meu coração - Algo dentro dela me chamou para dentro. - Ele me olha com aqueles olhos assassinos, mas em alguns segundos... Em pequenos segundos eu pude ver "ele" antes de ir embora.
- Você não cumpriu não é? - Ele se aproxima de mim e eu dou um passo para trás - Você vai sofrer as consequências... "Ele" nunca desiste quando quer alguém... E o alguém da vez é você... 
Eu caio na água gelada e cortante de inverno e quando olho para cima ele não esta mais lá.


"E talvez quando tudo passar, apenas resta um."


Saio do lago, toda molhada e com frio e tento passar pela floresta sem ouvir nada, mas a melodia começa a tocar... E eu perco o controle do meu corpo de novo...
"Eu gritava, implorava para que me deixasse em paz... Mas não conseguia falar uma palavra."
E mais uma vez, minha mente caiu no nebuloso escuro.


"E quanto mais você resistir a essa atração, mais machucado você sairá"


"Eu não quero abrir meus olhos e perceber que existem novos cortes e saber que pode ter sido ele que fez isso comigo... Ou que ele não fez nada para me ajudar."
Abro os olhos lentamente e vejo uma poça do meu sangue em volta de mim, eu estava no meio daquele sangue todo. Olho para minha barriga e vejo a letra W escrita com um risco bem no meio da letra. Tento me alevantar, mas eu caio novamente e dou um grito de dor ao sentir algo gravar-se em minhas costas. Fecho os olhos, e levo minha mão as costas e tiro a faca q estava ali. E me jogo nas gramas ensanguentadas novamente. Abro os olhos e congelo ao ver que era a faca que eu havia dado para ele e as lembranças vieram em minha mente.


"E as vezes você não consegue evitar, mesmo ferido, você não consegue odiar."


(- Nunca pensei em caçar coelhos com você sabia? - Ele da um sorriso tão lindo que eu o abraço - Ei, nenhum coelho vai te deixar marcas... Cicatrizes. - Ele vira o rosto para algum lugar solitário.
- Olha, ali tem um... - Olho para o lado e ele sumiu e quando olho para o coelho ele já esta com o coelho na mão. - Mas eu nem fiz nada. - Ele solta um pequeno riso.
- Tem uma faca? Preciso mata-lo se não ele pode fugir. - Eu pego a faca da minha bota e entrego a ele - Obrigada.
- É seu presente... - Viro o rosto, pois não queria que ele me visse corada. - Eu não queria te dar na frente dos outros... Não por vergonha, mas por medo da reação do meu pai. - Ele solta o coelho e me abraça. - Sei o quanto você queria esta faca então eu comprei pra você. - Ele me aperta mais e assim ficamos... Até escurecer.)

Encosto a faca no peito e começo a chorar...
"As coisas não era para ser assim."
Me alevanto e vou caminhando, me escorando nas árvores... Eu queria ir para casa... Casa. Será que alguém sentia minha falta? Começo a caminha normal e passo pelo meio da floresta e vejo um animal gigante, peludo... 


"E quanto você foge da verdade, a verdade vai atras de você."


(- Um monstro vive dentro de mim e eu apenas queria que ele fosse embora... - Ele falava e os olhos dele nada demonstravam. - Tenho medo de te machucar. - Ele continuava deitado olhando pro céu.
- Você não vai me machucar e você não tem um monstro dentro de você. - Ele me encara mas nada diz.)

Homem e lobo... Animal feroz... Algo que pensei que não existia... Ele estava lá, onde eu tinha acordado na primeira noite e senti a dor nos meus braços.


(- Você acredita em lobisomens? - Ele pergunta olhando para a faca que eu havia dado a ele. - Seja sincera em.
- Não. - Olho para o céu estrelado e sinto o olhar dele em mim - Lobisomens são animais criados por imaginações férteis. É só uma história para assustar. - Ele se alevanta e sai andando. - O que houve?
- Nada. - E depois desse dia ele some.)

Eu caio de joelhos no chão, segurando o colar que ele havia me dado... Quando ele me beijou pela primeira vez e jurou nunca me machucar.
"Apenas foi uma promessa a mais... Onde não se pode confiar."


"E quando a verdade é revelada, você não consegue mais fugir"


Com o barulho das folhas ao momento que eu cai de joelhos no chão ele se vira e eu posso ver aqueles olhos azuis... Aqueles olhos azuis que eu amo. E mesmo sabendo que foi ele que me machucou... E mesmo sabendo que ele pode me matar eu ainda o amo.


"E você não consegue correr, não consegue falar. Apenas fica ali, parado."


Ele se aproximo de mim e começa a rosnar e fica me olhando, me encarando... Os olhos azuis estavam sendo torturados. Havia dor dentro deles, mas ele não parecia se controlar.
- Agora eu sei que tudo que criamos... É tudo que eu criei em torno de você. - Eu sussurro e os olhos dele ficam cheios de lagrimas.
"Adeus... Mas essa palavra não quer sair de mim."


"E agora é a parte final, onde tudo terminará."


Eu fecho os olhos e ele pula em cima de mim... E eu sei que é para sempre desta vez. 
"Eu apenas vou lembrar dos momentos de felicidade... Com ele"
- William...!


"E nem sempre todas as histórias tem um final feliz"
Hwang Mi Hee 

terça-feira, 6 de março de 2012

(...)


Ele: Alô.
 Ela: Eu sinto sua falta.
 Ele: (respira fundo)

 Ela: Tudo bem, não precisa dizer nada. Eu sei que são uma e meia da manhã e sua voz de sono entrega completamente seu humor, eu sei que você se irrita quando te acordam e que durante a noite você sente sede, então provavelmente terá um copo d’água na escrivaninha que fica ao lado da sua cama. Sei que você não consegue dormir quando está pensando muito em alguma coisa, o que talvez, não seja o caso, porque eu te acordei, certo? Ah, e eu sei também que seu travesseiro tem o cheiro do seu perfume, e também lembra um pouco lavanda, que é do seu sabonete, mas que às vezes você tem umas recaídas e faz com que ele fique com cheiro de cigarro e vodka e que eu sempre era obrigada a trocar o lençol da sua cama quando ia para sua casa nos fins de semana. Você amava implicar com minha voz, lembra? Por mais que a amasse, você só queria me deixar irritada e me abraçar sempre que eu vestia sua camisa cinza ou branca. E você odiava quando eu escolhia a cor de que camisa sua usar, porque você queria me vestir com a que tinha o seu cheiro, o seu perfume. Eu sei que agora é tarde, que você tem sono, eu sei que talvez queira desligar e que a sua nova namorada pode estar deitada do seu lado e você nem esteja prestando atenção no que eu estou falando e sorria para ela agora, como sorria pra mim, depois passe a mão no rosto dela e afaste o cabelo dos lábios dela. E fique olhando-a enquanto ela fecha os olhos e sente o macio da sua pele e vice-versa. Sei que tudo está errado, que eu não deveria ligar e que seu número nem deveria mais estar na minha agenda. Mas é que eu levantei, fui até a janela e me lembrei de você… e por mais que eu vá me dormir agora e fique revirando na cama, me lamentando por ter te ligado e por ter falado tudo o que eu falei, eu tenho um peso a menos por ter deixado tantas lágrimas caírem enquanto ouço o seu silêncio e não o silêncio do meu quarto vazio guardando tanta saudade sua. Aliás, sua camisa ainda está aqui e tem seu cheiro, se não se importa, acho que vou usá-la, talvez isso me faça dormir mais rápido. E se não se importa também, eu quero sonhar com você e… me desculpa por ter ligado. É só que no momento em que eu disse “eu sinto sua falta”, eu tive a esperança que você dissesse ao menos um “eu também”.

    (Ele respira fundo mais uma vez chorando, e ela desliga o telefone).

    Ele: Eu também sinto sua falta…”
Autor Desconhecido